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Pesquisa –
Iára Maria Azevedo Guimarães
Histórico
O assunto
displasia começou a ser discutido em todo o mundo por volta de
1950. Muitas entidades caninas iniciaram o estudo, porém a não
uniformidade nos critérios de avaliação, que até hoje persiste,
fizeram com que muitos desistíssem.
Os países que primeiro exigiram exames radiológicos para
capacitar o animal às mais altas qualificações foram:
– Suécia e Finlândia em 1957;
– Suiça em 1965;
– Alemanha 1966;
– Estados Unidos FOA, 1966;
– Argentina em 1977.
Características morfológicas
Displasia é
uma doença da articulação coxo-femural, que tem como
característica fundamental uma inadequada adaptação da cabeça do
fêmur no acetábulo.
Causas
Graças as
investigações de SCHALES (North. Amer. Vet. 37, 476, 1956) e
HENRICSON, NORBERG e OLSSON (J. Small Anim. Pract. 7, 673, 1966)
pode comprovar-se a herança da doença, porém não está
es-clarecida o processo hereditário. É sabido que a displasia
não se transmite em virtude de uma herança simples dominante ou
recessiva. Os animais com aparência e radiologicamente não podem
ser portadores de fatores genéticos. Investigações feitas par
MANSSON e NORBERG (Medl. bl. Sver. vet. Forb. 13, 1961) e PIERCE
e BRIDGES (J. Small Anim. Pract. 8, 383, 1967) dizem tratar-se
de uma hipoplasia do acetábulo e consequente relaxamento
articular durante o desenvolvimento fetal e especialmente no
primeiro ano de vida sob ação hormonal como estrogenos e a
relaxina.
Não se pode relacionar nenhuma predisposição ligada ao sexo.
Acredita-se que o peso corporal excessivo aliado a fatores
ambientais prejudiquem a forma-ção do esqueleto, levando a uma
displasia adquirida.
Importância diagnóstica
Sabemos que
a displasia pode ser perpetuada e disseminada, bastando para
tal, que os criadores des-conheçam a incidência em suas matrizes
e reprodutores, ou ainda, por terem recebido diagnósticos
errôneos.
Muitas vezes uma interpretação radiológica adequada salva o
capital que seria investido em um ani-mal e evita o aumento de
animais displásicos.
Quando a criação seletiva, visando a uma boa ar-ticulação, é
baseada numa correta avaliação radiográfica, melhora-se a
qualidade das juntas e reduz-se a inci-dência de displasia.
Baseando-se em trabalhos que a FOA (Fundação Ortopédica para
Animais, E.U.A.) vem realizando desde 1966 pode-se afirmar que
um animal que não te-nha acusado radiograficamente incidência
displásica não significa que seja o indicado para uma crianção
sadia; o animal deve ser analisado no seu todo, em sua
genealogia. Este mesmo animal poderá ser portador de displasia.
Neste caso só fazendo um grupo de pro gênie, tomando como
válidos os resultados, se as quantidades de exemplares forem
grandes.
Roteiro do diagnóstico
– acetábulo raso (menos da metade da cabeça do fêmur se acamada
dentro do acetábulo)
– cabeça femural chata
– subluxação coxo-femural (deslocamento lateral parcial da
cabeça do fêmur em relação ao acetábulo)
– degeneração da articulação, secundária a uma ou mais das
condições acima citadas.
As
estatísticas da J OA também revelam que a displasia não está
relacionada ao sexo. A idade, porém, é um fator impnrtante na
interpretaçãn radiográfica. O erro em diagnósticos de displasia
varia de 90% em cães de 6 meses de idade, a 50% com um ano de
idade. Já com câes com 2 anos o percentual decai a 5%'.
O mais
importante no diagnóstico de displasia é a técnica radiográfica.
O cão deve ser anestesìado profundamente, deve ser colocado cm
decúbito dorsal com as pernas um pouco giradas para dentro
estendidas e paralelas, os joelhos devem estar alinhados e o
pélvis simétrico. Muitas vezes uma posição imprópria do animal,
leva a um mau diagnóstico, ou seja, displasia unilateral, o que
é relativamente rara.
A radiografia deve abranger a área entre o sacrum e os joelhos.
É desejável um bom contraste, alta miliamperagem e baixa
quilovatagem.
As
características e exemplo de cada tipo de articulação
coxo-femural são as seguintes:
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– Excelente: Essa categoria é caracterizada por uma
conformação superior em comparação a outros animais
da mesma idade e raça. Este caso
mostra uma cabeça femural perfeitamente ajustada,
acetábulo bem formado e o mínimo de interstício. |
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– Boa: De menor qualidade que a 1ª porém uma
articulação bem ajustada, havendo harmonia entre a
cabeça do fêmur e acetábulo. |
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– Regular: Qualificação atribuída quando existem
pequenas irregularidades na articulação. Nesse caso,
a folga que separa as superfícies articulares é
maior que o normal indicado, nas duas primeiras
categorias. |
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– Leve displasia: Este caso revela subluxação (folga
maior e osteosclerose da cartilagem articular.) |
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– Displasia moderada: Este caso mostra alterações
secundárias ósseas, achatamento e modificação no
formato da cabeça do fêmur com a mesma meramente
assentada numa cavidade acetabular rasa. |
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– Displasia grave: Categoria dada quando se constata
radiograficamente a existência de uma marcante
displasia. Nesse caso o acetábulo é totalmente raso,
faltando-lhe definição, marcante subluxação,
evidente alteração nas formas da cabeça do fêmur e
da epífise e têm lugar àlterações degenerativas
da articulação. |
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Conclusão
Estudos
provam que cães displásicos apresentam na sua descendência o
dobro da doença em relação a cães normais. Já os animais
afetados gravemente tem uma descendência com maiores
predisposições e com alterações mais manifesta do que alqueles
que apre-sentam displasia moderada. Cães com displasia em grau 1
(nos limites) não apresentam em sua descendência uma diferença
significativa em relação a cães sintos de displasia. Estes fatos
põe em dúvida a afirmativa de que só devem ser aproveitados para
a reprodução os animais que sejam livres de moléstia.
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